O pragmatismo do PT na eleição para a Câmara dos Deputados | Blog Ronaldo Bastos

Esta semana o PT aprofundou ainda mais o seu fisiologismo e mostrou que a conquista do poder está à frente do seu programa político. Para aumentar o seu poder no Legislativo, o partido irá apoiar políticos conhecidos por suas posições pró-impeachment, alguns deles fundamentais para a queda da presidente Dilma. Apesar dos dirigentes petistas proporem mudanças radicais na postura do partido, que serão discutidas em um congresso que ocorrerá ainda nesse semestre, parece que a prática está contradizendo a teoria. No frigir dos ovos, o PT está dando aula do que a esquerda não deve fazer em um contexto de crise.

Não podemos ser ingênuos. Fazer política institucional é muito mais que gritar palavras de ordem ou expor as deficiências dos adversários… É preciso ocupar cargos e funções essenciais dentro da máquina estatal para, assim, implantar políticas.

O problema é quando se faz isso de forma pragmática e sem nenhuma coerência, prejudicando a imagem de um partido que já não está nos seus melhores dias.

Falo isso porque esta semana circulou na grande mídia a notícia de que o PT irá disputar funções na mesa diretora da Câmara dos Deputados. Até aí tudo bem. Nada mais normal. O problema é quem o partido irá apoiar para conseguir seus objetivos.

Segundo foi divulgado, o PT deve apoiar ou Jovair Arantes (PTB-GO) ou o atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ocorre que o petebista foi o relator do processo na comissão especial que analisou o processo de impeachment de Dilma e deu parecer favorável à sua abertura. Já Maia é o principal aliado de Michel Temer, que os petistas tantas vezes chamaram de golpista.

A mensagem que o PT está passando aos seus eleitores é clara: não interessa com quem eu esteja ou o que eu defendo, o que importa é o poder. Só o poder.

E a esquerda brasileira tem que se afastar de posturas deste tipo.

Há muito que se fala, principalmente diante da virada à direita na política latino-americana, que é preciso reinventar a esquerda, que se atolou no fisiologismo e no pragmatismo incoerente…

Na verdade, não precisamos “reinventar” a esquerda, porque a solução para a crise não é bem uma invenção. A esquerda tem que fazer o que sempre caracterizou o seu programa político, que é defender os interesses da maioria da população.

Para isso, a esquerda tem que resolver o paradoxo em que ela mesma se colocou ao se incorporar, no caso do PT, ao grande capital, e ao defender quase que exclusivamente setores minoritários da população, desprezando-se todo o resto.

Isso é importante porque a classe trabalhadora (que alguns chamam de classe média) é justamente a parcela do povo que está apoiando a direita e a extrema direita no Brasil e no mundo. E foi justamente ela que menos recebeu atenção dos governos petistas, que beneficiou, por um lado, a classe A e, por outro, as classes D e E.

Defender grupos em situação de vulnerabilidade, como mulheres, homossexuais e negros é importante sim, mas fazer isso abandonando o setor que sempre apoiou a esquerda é um erro estratégico fundamental.

As eleições de Macri, na Argentina, de Trump, nos Estados Unidos, e os protestos pró-impeachment, no Brasil, foram feitos justamente pela classe que foi abandonada pelos governos de esquerda no mundo.

É preciso parar pra pensar e voltar a defender os trabalhadores.

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