Novo atentado na Colômbia dificulta as negociações de paz

Quem acompanhou a série NARCOS viu que a situação da Colômbia no que atina ao controle da violência não tem sido fácil desde a década de 60 do século passado. Agora, o retorno dos atentados por parte do Ejército de Liberación Nacional (ELN) reinsere a Colômbia no mapa da violência paramilitar latino-americana. Neste post quero atualizar vocês sobre a evolução desta situação.

Embora as Fuerzas Armadas Revolucionárias de Colombia (FARCs) já tenham entregue as armas e agora se dispõem a concorrer nas próximas eleições que ocorrerão ainda este semestre, a negociação com o ELN está sendo mais difícil.

A trégua entre o governo e o ELN foi iniciada em 1º de outubro de 2017, mas como o ELN insiste em não suspender, enquanto o acordo não for terminado, suas atividades criminosas, como o sequestro e a extorsão, alegando que tais condutas constituem uma espécie de “modo de sobrevivência”, o acordo está sendo mais difícil que aquele que ocorreu com as FARCs.

Em 09 de janeiro deste ano o acordo de cessar fogo se encerrou e o tom é dado pelo líder guerrilheiro encarregado dos contatos com o governo colombiano, Pablo Beltrán: “Hoy, martes, a las 24 horas termina el cese, que tuvo una duración de 101 días”.

Embora o presidente Juan Manuel Santos busque prorrogar a trégua, o ELN vem fazendo cada vez mais exigências ao Estado colombiano. O resultado é que a reunião que ocorreu em Quito, capital do Equador, no dia 7 de janeiro, não deu em nada.

Os especialistas apontam que é mais difícil fazer um acordo com o ELN do que com as FARCs porque ele possui uma estrutura hierárquica mais branda, o que não garante, por exemplo, o cumprimento fiel das ordens dos seus dirigentes.

A despeito dos pedidos de manutenção do acordo por parte do Vaticano e das Nações Unidas, que são garantes da trégua, um dia após o cessar fogo, no dia 10.01.2018, o ELN promoveu quatro ataques contra a infraestrutura petroleira nos departamentos (estados) de Boyacá, Casanare e Arauca, causando a morte de um soldado.

Em uma decisão que pegou de surpresa a comunidade internacional, o presidente Juan Manuel Santos pediu o retorno de seu principal representante nas negociações, Gustavo Bell, no dia seguinte ao fim do primeiro cessar-fogo bilateral, pactuado com o governo rebelde desde que o grupo pegou em armas, em 1964.

A partir disso, Santos deixou em suspenso a abertura do quinto ciclo de diálogos de paz, no qual justamente se deveria negociar uma nova trégua.

A gestão destes problemas, no entanto, ficará a cargo do novo presidente da Colômbia, que sairá das urnas em maio deste ano.

Lembrando que, recentemente, referendo que propunha o perdão dos atos cometidos pelas FARCs não foi ratificado pela maioria dos colombianos.  O acordo envolveu quatro anos de difíceis negociações entre o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das FARCs, Rodrigo Lodoño, também conhecido como Timoleón Jimenez ou Timochenko, mas barrou na soberania popular.

A posição do Brasil, que também é garante dos acordos de paz, é que os insurgentes e o Estado colombiano cheguem a um acordo definitivo o mais breve possível, em benefício de todos os colombianos. Inclusive, em 15 de março de 2016 o Itamaraty criou o Grupo de Amigos para a Paz na Colômbia, o que é um passo a mais na relação bilateral entre esses dois países latinos.

O blog vai acompanhar o desenrolar da situação.

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COMO CITAR ESTE POST

BASTOS, Ronaldo. Novo atentado na Colômbia dificulta as negociações de paz. In: Blog Ronaldo Bastos: discutindo problemas de estado. Disponível em: https://ronaldobastosjr.com.br/2018/01/22/novo-atentado-na-colombia-dificulta-as-negociacoes-de-paz. Acesso em: [ponha a data].

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